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HARD CLUB ABRE PORTAS À NOVA MÚSICA PORTUGUESA

28-11-2018

Desde a sua abertura, em 1997, que o Hard Club sempre se dispôs a ser uma porta de entrada para as bandas emergentes do panorama musical nacional. Vinte anos passados, com um país inteiro a vibrar de novos artistas e sonoridades, o Hard Club continua nessa demanda de apoiar e levar a música nacional a novos públicos, num palco onde esta pode mostrar todo o seu potencial. A prova disso é a programação das próximas semanas que inclui artistas como Quartoquarto, Nu (30 Nov.), Indignu, Imploding Stars (1 Dez.), Ana (3 Dez.), Conjunto Corona (8 Dez.) e, no contexto do Toca na Baixa (29 Dez.), Oddviews, Traço, Aras, David From Scotland e Don Pie Pie.

Os quartoquarto combinam voz, guitarra, teclas e bateria desde que se juntaram em 2015 e a partir daí têm vindo a mostrar algumas músicas: “III”, “miguel” e “póquer” e mais recentemente “fraca canção”. Uma sonoridade e abordagem estética que visa abalar a música nova em Portugal e deixa claro que reunir a canção portuguesa com a eletro-pop internacional é possível e tem tudo para dar certo. A banda atua no Hard Club a 30 de novembro com a primeira parte a cargo de NU, projecto de rock experimental de Santo Tirso no qual diferentes disciplinas como a música, a literatura, o vídeo e a performance se fundem em palco.

A sonoridade de Indignu não pode fugir ao selo pós-rock, mas fá-lo longe dos estereótipos de género habituais e do mainstream rock alternativo. O som instrumental, pode reportá-los para um dissimulado pós-grunge e os momentos acústicos, manchados de veneração ao simples e ao natural, trazem algum alívio e ecletismo ao ouvido. Melodias e distorções emocionais contrastantes são a principal característica do estilo da banda. A sua própria visão de crescendos catárticos apresenta um som extremamente sujo e corajoso. Contam com quatro discos. Pisaram a maioria dos palcos nacionais e ilhas. Pisaram o palco de um dos maiores festivais do mundo do género, o Dunk!Fest na Bélgica. Trabalharam, entre outros nomes da cena nacional, com Ruca Lacerda, Ana Deus, Valter Hugo Mãe e Manel Cruz. Inspiram-se na lusofonia, nos mares e na terra.

Já os Imploding Stars nasceram no final de 2010 e assumiram desde o principio a vontade de se enquadrarem no panorama post-rock nacional. Em 2012 lançaram o seu primeiro EP "Young Route" que os levou a vários palcos em Portugal, Irlanda e Espanha. Dois anos depois, no final de 2014, lançaram o seu primeiro álbum "A Mountain and a Tree" pela Cosmic Burger, tendo o seu single "Earthquake" sido lançado em exclusivo pela Antena 3. Um disco conceptual ligeiramente diferente na linha de pensamento da banda procurando um caminho mais melódico, denso e clássico dentro do género. A tour de "A Mountain and a Tree" culminou na presença no Festival Paredesde Coura em 2016. Ainda nesse ano, a convite do Planetário-Casa da Ciência de Braga, criaram a banda sonora "Mizar & Alcor" para a versão portuguesa do documentário "From Earth To The Universe" da Agência Espacial Europeia (ESA). Em 2017, participaram na coletânea "T(h)ree " editada pela Omnichord records onde se juntaram aos Arkaiym do Cazaquistão e lançaram "Treeless prairie". Em maio de 2018 os Imploding Stars - Élio Mateus (bateria), Francisco Carvalho( guitarra), João Figueiredo (baixo), Jorge Cruz (guitarra), Rafael Lemos (guitarra) - juntam-se mais uma vez à editora Cosmic Burger e lançam o seu segundo longa duração de estúdio, "Riverine". As duas bandas juntam-se para um concerto a 1 de dezembro. 

No dia 3, Ana apresenta-se no Lounge do Restaurante No Mercado (Piso 1) para uma atuação com entrada gratuita. Ana é o projecto a solo de Gabriel Salgado, que foi buscar o nome a um prefixo de origem grega que significa repetição. O termo, que começa por causar estranheza, serve afinal de sumário eficaz para explicar este projecto construído à volta de uma guitarra dedilhada em camadas sucessivas com a ajuda de uma loop station. Ana representa repetição e inversão; mudança e evolução. Em Janeiro de 2017, o multi-instrumentista vimaranense edita o seu primeiro registo a solo "Abril", onde desafia as potencialidades de uma só guitarra na forma audaz como manipula as dinâmicas acústicas. Em Novembro do mesmo ano, surpreende com "Um", o primeiro registo de longa-duração, onde mostra mais cores e tonalidades e onde se revela mais maduro e reflexivo. "Um" foi produzido por Diogo Alves Pinto (mais conhecido como Gobi Bear) e o primeiro single "Às Vezes Mudo de Ideias" foi aclamado pela crítica especializada e reconhecido na imprensa, na televisão e nas rádios nacionais. Neste curto percurso, o artista já integrou a colectânea "PLA : 007" (Abril, 2017) e também a ilustre compilação "Novos Talentos FNAC" (Junho, 2017).

Corona já provou a fama, a decadência, o empreendedorismo, o lenocínio e o sabor da chantagem. Já travou conhecimento com grandiosos players da noite e dos negócios ilícitos da baixa Portuense. Infelizmente (e apesar da sua proatividade) a vida não lhe tem corrido de feição. Depois da sua incursão pelo mundo do alterne em 2016 (relatada no aclamado "Cimo de Vila Velvet Cantina͟"), circunstâncias de negócio (e também a gentrificação vivida na baixa do Porto) empurraram-no para outro ecossistema: o dos arredores do Grande Porto. E é junto à mítica rotunda de Santa Rita - onde uma igreja e um convento coexistem lado a lado com uma Repsol, um Mcdrive e um mítico restaurante em horário 24/7 - que o grande Corona inicia o seu próprio culto, espalhando a sua doutrina e curando almas perdidas a partir daquele enclave místico na junção dos terrenos sagrados de Águas Santas, Ermesinde, Valongo e Baguim do Monte. "Santa Rita Lifestyle", o quarto álbum de originais do Conjunto Corona, é a glorificação de Valongo, Ermesinde, Gaia, Trofa, Santo Tirso, Gondomar, Vila do Conde e até de Rio Tinto. Santa Rita Lifestyle é a religião onde as missas são substituídas por idas às bombas num Civic às duas da manhã para tomar café e fazer a rotunda de gazão com as sapatas a ͞poliçar͟. Santa Rita Lifestyle é o sangue de Corona que será derramado sobre vós, agora e para sempre, ámen. Para ouvir a 8 de dezembro, na sala 2.

No final do mês, o Hard Club é também palco da primeira edição do TOCA na Baixa. O festival surgiu entre um grupo de amigos com uma crença em comum, que a nova música é uma enorme força impulsionadora na evolução de todas as artes e que todos os músicos devem ter uma oportunidade de a demonstrar. Graças a eles, vamos poder ouvir, numa noite só, Oddviews, Traço, Aras, David From Scotland e Don Pie Pie.
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